Heroes of Olympus
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Desde o resgate de Eirene o mundo nunca mais foi o mesmo, a paz nunca mais reinou soberana como aconteceu por longas eras. Muitos foram aqueles que deram seu sangue e vida para que ela retornasse, mas diante da ingratidão humana, ela escolheu permanecer no esquecimento do Senhor do Olimpo. A tríade nefasta havia sido derrotada era fato, até mesmo por seus próprios filhos, contudo, no fim, o maior objetivo deles havia sido conquistado. Caos podia influenciar uma vez o mundo mortal e também a mente dos olimpianos e romanos. Eirene passou a habitar somente os corações daqueles que realmente acreditavam nela, algo tão raro que nunca mais se ouviu falar da jovem Deusa. Zeus a sua maneira tentou reestabelecer a ordem no Olimpo, mas algo dizia que ainda havia algo bem pior estava por vir. E ele estava completamente certo quanto a isso.Três anos se passaram enquanto as cicatrizes das últimas batalhas enfrentadas pelos semideuses, ainda se fechavam. Amigos, conhecidos, parceiros, parentes... Muitos morreram na guerra que ficou conhecida como a Batalha da Escuridão. Não era fácil recomeçar, mas era necessário e assim todos fizeram. Aos poucos, novos semideuses chegavam, o Acampamento Meio Sangue voltava ao normal e a rotina que já havia sido esquecida, ganhava lugar na vida dos semideuses. Não se ouviu mais falar de grandes ameaças, monstros ou qualquer coisa que de fato perturbasse a harmonia. Tudo parecia ter voltado os trilhos e era assim que a vida seguia. Os que sobreviveram a aqueles dias tão negros, jamais esqueceriam tudo o que aconteceu e carregariam para sempre em sua pele e alma as lembranças daqueles dias tão tenebrosos.Quando o inverno chegou o frio parecia mais intenso, que mesmo contra a vontade do senhor D ele insistia em invadir o acampamento vez ou outra. O Deus e Quíron deliberam por dias, algo que parecia ser uma simples suposição se concretizava de uma maneira incontestável. Uma força tão nefasta que nem mesmo os oráculos eram capazes de descobrir de onde vinha. Foram quando três mensageiros de terras muito distantes chegaram ao acampamento. Eram semideuses e isso era inegável, mas de nenhuma divindade habitual. [...]
Primavera2021
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Publicado por Sybella von Abstein Qui Out 07 2021, 22:32

Sybella von Abstein
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Re: — Castle of Glass - BMO de Sybella von Abstein

Publicado por Sybella von Abstein Qui Out 07 2021, 22:43

Belona
I Coorte
Sybella von Abstein
Capítulo I – As Gaitas de Fole.

O som da gaita de fole parecia não sair da minha cabeça. Na verdade, eu não conseguia me concentrar em nada além da imagem do caixão negro a minha frente. A bandeira americana ainda estava sobre ele, as pessoas falavam, o reverendo falava, mas eu não conseguia ouvir nada além de mim e a minha dor. O peso das mãos das pessoas sobre meus ombros me dava a sensação que ia desabar a qualquer instante. A verdade era que eu já não estava mais conseguindo suportar aquele momento. Ergui meu olhar por alguns instantes e foi quando eu vi uma linda mulher de cabelos loiros do outro lado. Ela estava usando um belo e simples vestido negro, mas o que chamou a minha atenção foram as luvas até os cotovelos que ela usava. Eu nunca havia visto ela antes, não era uma conhecida, eu tinha certeza. Ela não tinha lágrimas em seu olhar, porém, parecia realmente sentir a morte de meu pai. Nossos olhares se cruzaram por uma fração de segundos, mas foi tão intenso que fez meu coração acelerar. Tive a sensação que ela sorriu para mim, mas os tiros me assustaram fazendo com que meu olhar se desviasse. Quando a procurei, já havia desaparecido na multidão.

— Está tudo bem? — Imediatamente reconheci o timbre da voz de meu avô. Ele não estava abatido, usava seu uniforme azul marinho e cape branco com frisos dourados. Em seu peito havia uma série imensurável de medalhas por seus feitos, mas a que mais se destacava sem dúvidas, era a Cruz da Marinha, a mais alta condecoração da Marinha americana. Olhei em seus olhos azuis e apenas assenti com a cabeça. A mão dele apertou meu ombro direito e uma segunda rajada de tiros foi disparada: — Não é errado demonstrar sua dor... — Ele começou e eu já sabia onde ele queria chegar com aquela conversa: — Um fuzileiro nunca chora. Um fuzileiro resignifica a sua dor. — Eu respondi interrompendo a sua fala. Não queria ouvir o restante do que ele tinha a dizer: — Você não é um fuzileiro. — Ele retrucou e de certa forma eu já esperava por essa resposta: — Mas um dia eu vou ser. — Eu já havia me preparado para aquela frase e pensei que o assunto havia se encerrado ali. Meu avô me puxou levemente pelo ombro para que eu encarasse seu olhar, notei algo de diferente no mesmo instante em que nos olhamos: — Você não vai. Assim como seu pai também não deveria ter sido. Quando chegarmos em casa conversamos melhor. — Normalmente eu teria respondido algo, mas aquele não era o momento para aquela discussão.

Quando a bandeira começou a ser dobrada eu sabia que era a hora do adeus final. Senti um imensurável aperto em meu peito, como se algo arrancasse meu coração com as mãos. Eu queria apertar a mão do meu pai, eu sempre fazia isso quando estava com medo e naquele momento eu sentia muito medo. Tudo que eu queria era ter meus cinco anos novamente e correr para os braços dele para me sentir segura. Respirei fundo e encarei o Almirante que trazia a bandeira em suas mãos, não era uma distância longa, mas parecia ter sido uma eternidade até que ele chegasse até mim: — Seu pai foi um herói. Nunca se esqueça disso. — Ele disse enquanto colocava a bandeira sobre meus braços. Eu o encarei e respirei fundo: — Não vou me esquecer. — E realmente jamais me esqueceria. Não somente pelos serviços prestados ao país, ele já havia recebido uma Estrela de Prata, por seus serviços prestados no Iraque, a Medalha de Serviço Distinto da Marinha pela operação que realizou no Afeganistão, salvando outros soldados que estavam presos e feitos reféns por grupos terroristas. Não eram esses feitos que fazia dele um herói para mim, mas sim o pai que ele sempre havia sido. Amoroso, justo e dedicado quando podia estar comigo.

Pouco a pouco as pessoas foram se retirando, deixando lírios brancos sobre o caixão do meu pai, já não sabia mais o que dizer para cada uma delas que me davam condolências. Eu realmente queria mandar todo mundo ir para o inferno e ficar ali junto ao caixão sozinha. Quando finalmente não restava mais ninguém, me aproximei da urna de madeira, meus dedos deslizaram sobre a superfície polida buscando sentir um toque que já não era mais possível. Soltei um longo suspiro, eu realmente não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo. Fechei meus olhos e tudo que vi, foi meu pai caído no chão da nossa sala, ele estava muito ferido e quase não o reconheci. Eu queria e precisava tirar aquela imagem da minha cabeça, mas todo o esforço que eu parecia fazer era inútil. Haviam tantos cortes por seu corpo, partes mutiladas que era difícil até mesmo para reconhece-lo. Meu avô havia dito que havia sido um ataque de uma célula terrorista que ele estava seguindo, mas não fazia nenhum sentido para mim. Nada faria sentido para mim novamente: — Vamos Bella. Daqui a pouco vai anoitecer. — Meu avô me alertou, eu se quer, havia notado a passagem do tempo: — Só mais um pouco. Por favor. — Pedi sem desviar meu olhar do caixão: — Não... Ficar aqui não vai traze-lo de volta. — Disse ele já me puxando para longe. Joguei meu lírio branco sobre o caixão e aquele foi meu adeus final para meu pai.

Nenhuma palavra foi dita dentro do carro e a casa do meu avô nunca pareceu tão distante. Eu queria voltar para a minha casa, dormir na minha cama e ficar perto de todas as lembranças da minha vida. Quando eu era pequena ele não era tão presente, não podia ser. Mas os momentos que passávamos juntos eram maravilhosos, como a vez que construímos um barquinho de madeira juntos. Eu sentia falta até mesmo de sua forma rigorosa de me educar, das broncas quando eu fazia coisas erradas: “Você precisa controlar sua fúria ou ela vai te dominar. Eu sei que é difícil, eu sei que ela corre em suas veias. Mas você precisa dominar.” Ele sempre dizia isso quando eu me metia em alguma briga. Não posso me gabar de ter um comportamento ameno, sempre fui explosiva e na maioria das vezes eu queria resolver tudo no braço. A paciência que ele tinha comigo não quer dizer que eu não ganhava castigos, pelo contrário, era algo bem comum. Mas mesmo assim, ele me fazia compreender o motivo da punição e no fim das contas eu sempre acabava aceitando que estava muito errada.

A casa do meu avô mais parecia uma daquelas mansões de filme de terror, quando estava a noite era pior ainda. Assim que o carro parou eu desci e já comecei a caminhar para o porta-malas para pegar as minhas coisas. Eu teria que morar com o velho e ainda não sabia muito bem como lidar com essa situação. Nossa relação não era o que se podia esperar de avô e neta, éramos distantes, frios um com outro. Ele sempre tinha um olhar que parecia me culpar por alguma coisa que eu não fazia a menor ideia. Minha avó havia morrido quando meu pai era criança, não havia nenhuma foto ou lembrança dela, como se ele tivesse apagado toda a sua memória, falar da minha mãe ou da minha avó sempre era um assunto proibido. Nunca soube o nome da minha mãe e nunca quis machucar meu pai com uma pergunta tão boba. Eu sabia que seu apelido era Bela e por isso papai me chamava assim, dizia que era uma forma de se lembrar dela. Ela havia morrido no meu parto e essa foi a primeira dor que eu senti no mundo, antes que pudesse compreender qualquer coisa.

Ao abrir a porta do porta-malas a voz do velho veio até mim: — Não precisa tirar suas coisas. Amanhã bem cedo você vai partir. — Disse ele sem um pingo de emoção em sua voz. Eu achei que tinha escutado muito errado e inclinei meu corpo para a direita, olhando para ele pelo retrovisor: — Você tá ficando louco? — Eu respondi com rispidez. Ele podia pelo menos respeitar meu luto? Eu mal havia enterrado meu pai e ele já queria me mandar para algum lugar. Ok! Nossa relação não era das melhores, mas ele não me daria uma chance de tentar ser uma neta legal? Observei ele descer do carro e caminhar na minha direção, o semblante dele parecia sério demais para que aquilo fosse algum tipo de brincadeira. Ficamos frente a frente em silencio, as luzes ainda estavam apagadas, só conseguia ver seu rosto através da penumbra:  — Já está mais do que na hora de você saber a verdade sobre você. — Eu pensei em retrucar com qualquer palavra, mas algo em mim me fez ter a curiosidade de saber o que ele tinha para falar.

Mal havíamos entrado e meu avô já me levou direto para seu escritório, pela parede haviam fotos, medalhas e diplomas, as estantes eram recheadas de troféus, livros, placas de homenagem e todo o tipo de coisa que pudesse inflar ainda mais o ego do homem senil. Assim que ele fechou a porta caminhou até o outro lado da mesa de magno escuro e fez um gesto para que eu me sentasse. Por mais que eu tentasse descobrir alguma coisa em seu semblante, não havia nada que eu conseguisse decifrar, ele nunca transparecia seus sentimentos ou pensamentos: — Seu pai me pediu para que eu tivesse essa conversa caso alguma coisa acontecesse com ele. Agora para você entender o que eu vou te contar, você precisa deixar a razão de lado. Apenas me escute. Seu futuro vai depender disso. — Pela primeira vez ele demonstrou alguma coisa em sua voz. Parecia ser preocupação, mas talvez eu apenas estivesse sendo muito audaciosa por pensar nisso: — Tudo começou quando eu estava no Vietnã. Nossa vitória já era eminente. Uma noite enquanto comemorávamos, eu vi uma mulher tão linda que eu achei que estava bêbado demais. — Aquilo parecia bizarro, mas meu avô estava falando da minha avó e sorria.

Joguei minhas costas contra a cadeira macia e continuei o encarando de forma inquisidora, durante anos qualquer assunto sobre a minha mãe e sobre a minha avó eram proibidos e logo na noite que meu pai havia sido enterrado ele começava a falar sobre elas: — Você está falando da minha avó? — Perguntei sem rodeios já que parecia estar tendo uma conversa sincera: — Sim. Estou falando da sua avó. Eu cai nos caprichos dela facilmente, era um garoto de dezoito anos, louco para voltar para casa. Tivemos uma única noite e nunca mais a vi. Tempos depois quando voltei para casa, encontrei um menino a minha porta, com uma carta. Naquela época parecia absurdo, pensei em levar o menino para a adoção, ou qualquer outra coisa. Mas de alguma forma eu soube que ele era realmente meu filho. Seu pai. — Ele sorriu como se fosse uma lembrança boa. Mas eu havia ficado totalmente confusa com o que ele havia acabado de me contar: — Meu pai era adotado? — Perguntei sem cerimônias. Era estranho, contudo meu avô tinha uma postura totalmente diferente do habitual. Estava mais relaxada e parecia realmente aliviado, como se estivesse tirando um enorme peso das costas.

Ele tirou o cape e colocou sobre a mesa, soltou um longo suspiro e olhou alguma coisa que não consegui perceber sobre a estante: — Quando seu pai fez treze anos, eu então entendi tudo. Aquela mesma mulher que desapareceu durante anos, voltou como um fantasma. — Nossos olhares se encontraram e sem saber o motivo, eu me lembrei da mulher que vi no funeral, mas ela era muito nova para ser minha avó: — Ela me explicou que eu deveria enviar seu pai para o Acampamento Júpiter. Ele não era uma criança como as outras. Assim como você não é, Bella. — Aquela frase me causou enorme espanto. Ele só podia estar ficando perturbado com tudo o que estava acontecendo. Acampamento Júpiter? Meu pai nunca havia me falado nada sobre isso. Eu quase questionei o velho fuzileiro, mas ele foi mais rápido com as palavras: — Ele precisava ficar em um lugar especial, junto de crianças como ele. Aquela mulher não era humana, aquela mulher pertencia a um mundo que julgamos irreal, mas ele está bem perto de nós. Aquela mulher era Nox. Uma Deusa.

Levantei abruptamente, estava estampado em minha face minha indignação diante daquelas palavras. Ele estava ficando louco? Nada daquilo podia ser real, o velho estava ficando louco: — Isso não faz sentido! Nenhum! Meu pai está morto! MORTO! E você quer me despachar para algum colégio interno na Europa. Eu sei que é isso. Mas eu não vou! Amanhã bem cedo eu vou me alistar. Vou entrar para a Marinha e ser o melhor fuzileiro que eu puder ser. — Esperava que ele esboçasse alguma reação, mas ele permaneceu imóvel e imutável. Quando meu rompante passou ele me encarou da mesma forma: — Não. Eu não quero te mandar para um colégio interno. Na verdade, novamente vou ter que ver alguém que eu amo partir para seu próprio bem. Eu estou tentando fazer aquilo que seu pai me pediu e morreu fazendo. Te protegendo. — As últimas palavras caíram como uma bomba sobre meus ouvidos. Meu pai havia morrido me protegendo? De que? De terroristas? Não fazia sentido.

— O que matou seu pai não é humano. E estava caçando você. Seu pai se apaixonou tardiamente por uma única mulher. Sua mãe. E essa mulher também era uma Deusa. Você foi deixada na nossa soleira, assim como seu pai foi deixando. Sua mãe é a Guerra da forma mais violenta e brutal. Belona. — Meu corpo tombou na cadeira e um baque surdo foi escutado. Me faltou ar, me faltou audição, por um instante era como se meu corpo fosse uma casca oca. Aquilo era muita loucura para mim, meus olhos arderam pela primeira vez durante todo aquele dia: — Você está louco. — Murmurei com a voz embargada. Ele saiu de onde estava e me segurou pelos dois braços, sacudindo meu corpo com delicadeza: — Eu não queria nada disso para você. Seu pai a vida toda te preparou para isso. Você acha que era atoa que ele te levava para caçar? As aulas de luta, as aulas com armas brancas, armas de fogo, sobrevivência? Não era simplesmente para vocês passarem um tempo juntos, Bella. — Tudo aquilo que ele dizia me trazia um gosto amargo aos lábios. Meu pai havia mentido para mim todos aqueles anos? Ele não podia ter mentido sobre algo tão sério, apesar de tudo o que eu havia acabado de ouvir parecia uma grande loucura.

Foi quando senti um toque cálido em meu rosto limpando as lágrimas que caiam dele, eu nem havia notado quando comecei a chorar: — Um fuzileiro não chora. — Disse ele com um sorriso mais carinhoso nos lábios: — Eu queria que fosse mais simples. Mas se seu pai não foi capaz de te manter segura, eu também não vou conseguir. Você precisa ir para o Acampamento Júpiter. Mas antes, você deve passar um período com Lupa. Ela vai te preparar para o que te aguarda. Seu pai me explicou tudo antes de morrer. Nós sabíamos que cedo ou tarde os monstros também te perseguiriam. Todos aqueles pesadelos eram reais, mesmo assim seu pai preferiu morrer te protegendo do que abrir mão de você. Eu o admiro por isso. Eu não tive essa coragem por ele. — Eu queria dizer alguma coisa, mas não tinha forças para isso. Tinha um milhão de perguntas na cabeça, mas era a primeira vez que eu havia sucumbido as minhas emoções e eu não podia imaginar que elas eram tão fortes.

O dia mal havia raiado e meu avô já tinha me colocado no carro, eu podia notar a preocupação em seu semblante. Ficamos em silêncio todo o caminho até chegarmos em um local, eu conhecia aquele bairro, mas preferi ficar em silêncio, não havia muita coisa que eu quisesse dizer. Quando meu avô parou o carro ele me olhou e colocou a mão em meu ombro: — Não guarde rancor do seu pai. Ele te amava muito e fez o que fez para te proteger. Seja a melhor entre eles. Pela memória do seu pai. Agora vai. Lupa, está te esperando. — Disse ele me dando um terno beijo na minha testa. Eu apenas sorri meio de canto, mesmo sem vontade: — Eu vou ser. — Eu não tinha certeza do que estava prometendo para ele, mas pelo menos ia me esforçar. Mesmo que meu pai tivesse mentido para mim, meu amor por ele não havia mudado em nada e agora me sentia culpada pela morte dele. Olhei para frente e decidi ver se todo aquele mundo era real e se fosse eu não ia decepcionar meu pai. Ele merecia isso. Enfiei a mão no bolso e puxei as medalhas de maior valor, elas sempre me fariam lembrar de quem eu era filha.

Capítulo II – A Deusa Loba e seus ensinamentos.

Treinar com Lupa não foi fácil desde o primeiro instante, dia a pós dia aquilo se tornou exaustivo, perigoso e me levava ir além das minhas capacidades todos os dias. Primeiro vieram os testes de sobrevivência, depois de luta e tudo que envolvia minha origem divina. Aquilo tudo ainda era uma loucura sem tamanho para mim e ela percebia que apesar de tudo, eu ainda alimentava uma imensa descrença com o mudo que me cercava. Ela dizia que eu andava em uma linha muito tênue entre a vida e a morte, entre ser forte e ser fraca. E ela não estava errada, afinal o que me tornava forte, era o que me deixava mais vulnerável. Minha ira. Não era fácil lidar com ela, manter ela sob controle. Em um piscar de olhos eu mudava da pessoa mais calma do universo, para uma pessoa totalmente bestial enquanto alguém não me parasse. Eu não sabia quanto tempo eu teria que ficar com ela e muitas vezes pensava que ela ia me matar por me achar indigna de ser uma semideusa. Mas quando ela parecia prestes desistir de mim, algo mudava totalmente a situação.

Não foram meses fáceis, eu já havia ganhado mais cicatrizes do que em toda a minha vida, era fim de tarde quando ela, Lupa, se aproximou de mim e eu sabia que aquilo não podia ser uma boa coisa. A loba sentou-se ao meu lado de maneira despretensiosa, algo em seus olhos me dizia que eu teria muitos problemas, mas preferi ficar em silêncio e esperar: — Pegue sua melhor arma e caminhe na direção leste. Vai encontrar a parte mais densa e escura da floresta. Também a mais perigosa. Use tudo o que aprendeu e volte aqui somente pela manhã. — Explicou ela sucinta e direta como sempre. Eu apenas me levantei e peguei a espada que havia ganhado durante o treinamento. Não havia muita coisa que eu quisesse perguntar sobre a missão, provavelmente era mais um dos testes de sobrevivência que ela me obrigava a fazer. Antes que eu me afastasse a loba chamou a minha atenção mais uma vez: — Se voltar, poderá seguir para o Acampamento Júpiter. — Me virei em sua direção ao ouvir o que ela tinha dito: — Então... É um teste final? — Perguntei sem cerimônia. A Deusa se levantou e me encarou: — Sim. O mais difícil de todos desde que chegou. Mas se realmente é filha de Belona, tenho que certeza que vai sobreviver. — Completou ela antes de me abandonar no local.

Peguei apenas a espada e parti na direção que ela havia me indicado, senti um misto de nervosismo e medo, se aquele era um tipo de teste final, eu teria muitos problemas. Pelo que eu havia entendido ela queria que eu usasse tudo que havia aprendido junto dela. Fazia sentido, mas eu não sabia o que me esperava daquele lado da floresta e por mais que eu soubesse todo o tempo que eu poderia morrer a qualquer momento, as palavras dela dessa vez haviam sortido um efeito diferente sobre mim. Olhei para o céu e sabia que noite não ia demorar a cair, para minha sorte, pelo menos não estava fazendo frio naquela época do ano. Aos poucos eu já não percebia mais o rastro de Lupa ou de qualquer outro semideus. A medida que caminhava esvaziava minha cabeça de qualquer coisa que pudesse tirar meu foco do que tinha que fazer e por instinto levei a mão ao bolso, apertando entre os dedos as medalhas do meu pai. Eu não podia falhar naquele momento.

Caminhei certo tempo me orientado na direção que Lupa havia instruído, quando a noite caiu senti mais facilidade para me locomover, já que eu podia me orientar pelas estrelas. Coisas que meu pai havia me ensinado e eu jamais esqueceria. Quando comecei a treinar com Lupa, todas as coisas que meu pai havia me ensinado haviam feito total sentido para mim, eu jamais havia percebido que tudo tinha um propósito maior para ele. Ficava curiosa para saber como teria sido sua vida como semideus, quais aventuras ele teria vivido até que finalmente deixou o Acampamento Júpiter. Tinha vontade de um dia conhecer o lugar e quem sabe conhecer alguém que teria histórias sobre ele para contar. Para minha sorte, à medida que eu adentrava na floresta mais fechada, o céu se tornava ainda mais estrelado, conseguia ver as constelações com facilidade e inclusive Antares, minha estrela favorita.

Levei algum tempo até que achasse um abrigo seguro para passar a noite, mas eu sabia que dormir não seria uma opção apesar de sentir o corpo cansado pela caminhada. Era uma pequena caverna, me sentei e coloquei minha espada a minha frente. Meu pai uma vez me ensinou que quando homens estavam campo e precisavam esperar por longas horas ou até mesmo por dias, usavam uma técnicas para manter a mente focada até um certo momento. Comecei a lembrar das histórias que ele me contava quando estava trabalhando. Claro que ele nunca contava a parte ruim, mas sempre era algo bom, algo que me fizesse sorrir e dormir tranquila. Fiquei repassando aquela cena repetidamente em minha cabeça.  Em segundos minha mente entrou em uma espécie de transe, apesar de perceber tudo o que acontecia ao meu redor.

Permaneci por horas daquela forma, pelo menos eu acreditava nisso, não sabia dizer com exatidão pois ainda tinha a voz do meu pai na minha cabeça, porém, um outro ruído sobrepujou isso e acabei saindo do estado que eu estava. Não era uma simples brisa que havia chacoalhado as folhas, era algo mais forte, como se alguém tivesse pulado de um galho para o outro. Segurei a minha espada com mais força e levei meu corpo para frente, com cuidado me escondi atrás de uma rocha. Olhei com cuidado para frente, mas não vi nada, não parecia ter alguém ou alguma coisa ali, mas meu instinto me dizia para me manter preparada. Não havia mais nenhum ruído e de alguma maneira era como se o silêncio dominasse o lugar. Não conseguia ver muita coisa, as copas frondosas não permitiam que a luz da lua passasse com facilidade. Olhei para os lados e me virei lentamente no meu próprio eixo, mantendo a espada firme na minha mão.

Foi quando senti uma forte pancada contra as minhas costas e acabei caindo para frente largando a minha espada. Tive pouco tempo para rolar para o lado, antes que uma enorme garra me rasgasse. Ainda não sabia o que estava me atacando.  Rolei para a minha direita tentando me esquivar, mas não consegui achar a minha arma: — Merda! — Praguejei vendo que a situação não estava favorável para mim. Apoiei minhas mãos na altura da minha cabeça e me impulsionei para cima, não ficaria no chão esperando aquela coisa me atacar. Não podia confiar na minha visão, então tinha que dar atenção aos meus ouvidos. O bater de asas logo me chamou a atenção, parecia um pássaro grande, só podia ser uma harpia. Eu já tinha encontrado alguns monstros durante o treinamento, mas aquele parecia tão grande e muito mais feroz. O som das asas vinham da minha direita, então consegui me esquivar jogando meu corpo para trás.

Me sentir na desvantagem me fazia ficar na defensiva todo o tempo, o escuro não me ajudava e acabei sendo atingida no ombro. Senti as garras me apertando e criatura me prendendo para me atacar. Eu precisava reagir ou estaria morta, aquela coisa ia me comer: — Seu cheiro é mais apetitoso que os demais. — Ela gritou e não sei explicar por qual razão isso me encheu de raiva. Forcei meus dois pés no chão e usei toda a minha força para empurrar a coisa contra uma árvore. O baque fez a copa das árvores balançassem  e escutei ela fazer um som estranho, mesmo com dor, comecei a soca-la com a mão esquerda, já que meu ombro direito estava preso. Coloquei toda a minha raiva e força até que ela finalmente me soltou. Dei alguns passos bêbados para trás e quando coloquei a mão no meu ombro, senti o sangue morno que saia da ferida. Eu realmente precisava lutar ou estaria morta. “O seu melhor Sybella. O seu melhor!” Não ia cair agora que estava tão perto.

Abri meus olhos o máximo que consegui e me forcei a enxergar  na escuridão, já conseguia ver a silhueta do monstro. Quando ela tentou me atacar novamente com as garras, rolei por baixo dela e tentei ir na direção que estava a minha espada. Precisava encontrá-la! Não podia me abaixar ou abriria a guarda para aquela coisa me atacar, mas para minha sorte ou uma intervenção divina talvez, vi um brilho e tive certeza que era a minha espada. Esperei que a criatura me atacasse novamente e rolei para direção da lâmina, finalmente eu havia recuperado ela. Me levantei e girei meu corpo com o braço direito estendido fazendo um corte horizontal grande com a minha espada. A harpia se assustou e recou, as coisas haviam mudado e realmente estava disposta a matar a aquela coisa na minha frente. Trouxe a espada para próximo do meu corpo, assumindo uma postura mais defensiva.

O monstro estava enfurecido e veio na minha direção, me joguei por baixo dela e girei nos meus calcanhares rapidamente, conseguindo acertar as costas dela em um corte profundo e transversal. Rapidamente dei um pulo para trás, me esquivando de um contra ataque com as garras contra meu peito. Meu pé direito rapidamente foi para o lado, abrindo meu campo de ataque e novamente atingi o monstro no rosto, arrancado um som de dor que quase me ensurdeceu. Estava na hora de acabar com aquilo ou poderia ficar em desvantagem se começasse a me cansar. Mesmo com o ombro ferido, acertei ela de uma vez, tirando sua próxima ação, ergui minha espada e acertei a harpia de cima para baixo, rasgando ela de uma ponta a outra e logo se tornou poeira dourada. Respirei aliviada quando tudo aquilo acabou, meu ombro estava latejando e com certeza seria mais uma cicatriz para a minha coleção. Quando meu olhar se ergueu ao céu, notei que os primeiro tons carmesins começavam a surgir. Estava na hora de voltar.

Quando cheguei a Toca dos Lobos o dia já havia amanhecido, Lupa parecia ter sentido minha presença muito antes de adentrar ali. Eu deveria estar uma figura no mínimo estranha já que a loba me encarava todo o tempo: — Está tão ruim assim? — Perguntei olhando para mim mesma e observando o enorme machucado nos meus ombros e braços, minhas costas também não devia estar muito legal. Sentei no chão e finalmente respirei aliviada, mas continuei esperando que ela se aproximasse. Lentamente ela caminhou ao meu redor e finalmente parou ficando na minha frente: — Um pouco melhor do que imaginei que fosse voltar. Foi uma harpia? — Eu fiz que sim com a cabeça e ela entendeu que eu não queria falar muita coisa: — Bom. Voltou viva. Achei que ia passar uma semana perdida na floresta. Vejo que suas habilidades estão compatíveis para continuar seu caminho. Cuide-se. O caminho para o Acampamento não é nada fácil. — Explicou ela e finalmente depois de tanto tempo eu sentia um gostinho de vitória nos lábios.

Capítulo III - Senatus Populusque Romanus

Lupa não havia brincado quando disse que o caminho para o acampamento era difícil e pensei que realmente fosse morrer no caminho. Mas se havia uma coisa que eu não faria, era desistir ou morrer antes de cumprir todas as coisas que havia prometido ao meu pai. Não mesmo! Derrotei monstros e tudo mais que se colocou no meu caminho. Em todos os momentos que pensei que não daria conta, segurava as medalhas do meu pai, conseguia forças para continuar. Quando finalmente cheguei eu estava com muitos machucados e com a blusa vermelha de tanto sangue, porém, minha espada continuava firme em minhas mãos. Eu jamais poderia imaginar que todas aquelas loucuras que meu avô havia me dito naquela noite, eram verdades e se revelavam diante dos meus olhos. Mas recepcionar um novato não era bem a especialidade dos romanos.

Precisei ficar uns dias na enfermaria, tinha ferimentos que inspiravam cuidados, alguns ossos trincados e pontos para tudo que era lado. Não era que eu fosse o tipo mais amistoso, mas era legal pelo menos um bem-vindo em um lugar que se era um completo estranho. Na verdade, aquele lugar era cheio de minis versões do meu avô e por um momento eu até ri disso. Era uma manhã quando finalmente recebi uma “visita”. Era a garota mais linda que eu já havia visto, mas guardei isso na minha mente. Pelo menos parecia ser mais simpática que a maioria que eu já havia visto até o momento. O bom de ter ficado um tempo de molho na enfermaria, era que eu havia escutado muitas coisas, apesar de nenhuma delas fazer sentido para mim, principalmente sobre Coortes, Centuriões, missões e treinamentos. Tudo aquilo parecia muita loucura para mim. Mas pelo que eu havia entendido, eu não tinha muitas opções já que estava ali.

A garota deu um leve sorriso para mim e se aproximou: — Vejo que seus ferimentos já estão melhores. — Começou ela tentando quebrar o gelo. Levei minha destra a testa e ainda podia sentir alguns pontos: — Acho que estou melhor sim. Isso não foi nada. — Respondi tentando ser o mais simpática possível. Ela pegou alguns papéis que estavam ao lado da cama e analisou por algum tempo, depois voltou a me encarar: — Acho que está tudo bem. Já pode ir para seu dormitório e ajeitar suas coisas. Ainda deve estar um pouco perdida, mas logo vai compreender. Vou te ajudar nesse primeiro momento. — Ela parecia bem tranquila quanto aquilo, muito ao contrário de mim: — Legal. — Se eu falasse mais alguma coisa poderia demonstrar meu nervosismo. Me levantei e percebi que todos os meus ossos estavam no lugar: — Como você chama? — Ela me perguntou e começou a escrever em um papel na prancheta: — Sybella. — Era tão estranho falar meu próprio nome, parecia que era falso depois de tudo que eu havia descoberto: — Então... Bem vinda ao seu Probatio. Você terá um longo ano pela frente. — Quando ela disse aquilo, tive a minha primeira sensação de missão cumprida.
                          
 
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Re: — Castle of Glass - BMO de Sybella von Abstein

Publicado por Melinoe Sex Out 15 2021, 16:25

avaliação
Olá, Sybella! Irei iniciar sua avaliação partindo de um ponto o qual me incomodou um pouco durante seu texto: a estruturação dos parágrafos.

Sua escrita é realmente muito boa, porém, a forma como colocou os parágrafos no decorrer da narração serviu apenas para deixá-la bastante cansativa. Apesar de ser um texto extenso, é recomendado que o mesmo seja bem distribuído e que não acumule tantas sentenças em um único bloco.

Algo que também me chamou atenção foi a forma como algumas palavras e frases pareciam estar comidas. Por exemplo:

Senti as garras me apertando e (a) criatura me prendendo para me atacar.

Recomendo que, mesmo em um longo texto, faça uma revisão cuidadosa para consertar estes pequenos erros.

De toda forma, sua trama parece bastante interessante e me despertou curiosidade para saber mais sobre ela. Gostei da forma como colocou sua linhagem familiar em ênfase e desenvolveu muito bem sua personagem.

Até breve, espero ver mais de suas narrações por aqui!

pontuação— Coerência: 40 de 40
— Coesão: 26 de 30
— Ortografia: 12 de 15
— Organização: 10 de 15

Total: 88*7 = 616 xps + 308 Dracmas

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Re: — Castle of Glass - BMO de Sybella von Abstein

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